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Contestado criou Raízes e ganhou Asas

  • 10/02/2020
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A cultura de Caçador é destaque nacional. O projeto "Natureza Cabocla ou Raízes e Asas - Um encontro com a oralidade do universo caboclo", foi aprovado em janeiro pela FUNARTE. O trabalho surgiu em 2016, da adaptação do espetáculo Contestado Encantado, criado com elementos de teatro, música e contação de histórias para distribuir material didático na 2ª Semana do Contestado de Caçador. Apresentado até 2017, foi reconfigurado em 2019, mudando de nome e esse ano contemplado pela Fundação Nacional de Artes na categoria espetáculo-pesquisa.
"O objetivo primeiro foi gravar um DVD para ser distribuído para todas as escolas de Caçador, na Semana do Contestado daquele ano, retratando a cultura cabocla de forma simples e encantadora e introduzindo o assunto da Guerra do Contestado para crianças e adolescentes. Durante as apresentações realizadas, percebeu-se que o público presente ao final do espetáculo tinha necessidade de se manifestar, contar causos, lendas e outros saberes e fazeres da cultura cabocla", detalha a atriz Lu Paes, entusiasta do projeto realizado junto ao diretor Gustavo Zardo e ao músico Jorge Gonçalves.
Baseados nesta experiência, os três perceberam que o espetáculo despertava memórias adormecidas do povo caboclo e trazia à tona, conhecimentos não registrados na literatura escrita, no entanto, presentes na tradição oral dos sertanejos do contestado. Desta forma, foi elaborado um projeto de circulação do espetáculo pelas principais localidades, onde estão concentradas a maioria da população cabocla e os remanescentes da guerra.
ROTEIRO
Percorrendo o Contestado
Os Municípios percorridos pelo projeto serão os mesmos que foram palco do combate: a começar por Fraiburgo (Comunidade do Taquarussu), seguido de Lebon Régis (Comunidade do Rio Bonito), nesse domingo (9). Também serão feitas apresentações em Timbó grande (Comunidade de Santa Maria), Calmon e Matos Costa. Total de km (ida e volta): 646 km. Cada cidade foi escolhida por ser local de antigo reduto, cidades santas.
CONTRAPARTIDA
Aproximação com o imaginário caboclo
"A Natureza Cabocla ou Raízes e Asas narra experiências apreendidas a partir de pesquisas históricas, sociais, religiosas, mitológicas, sonoras e visuais, em torno da cultura cabocla do sertão de Santa Catarina, região onde ocorreu o terceiro maior conflito rural do mundo e um dos maiores genocídios da população brasileira, a "Guerra do Contestado"", salienta Gustavo Zardo.
A dramaturgia é conduzida por contos, ou "causos", e músicas que buscam dialogar com o público num encontro onde passado e futuro se fundem num presente pleno de aprendizagem. Através de mitos e símbolos que existem no inconsciente coletivo das raízes sertanejas catarinenses, discute-se invisibilidade, racismo, preconceito, desigualdade social. E com intercâmbio da oratura entre público e atores, é possível dar protagonismo às expressões das culturas populares "Contestadas".
"Essa peça, apesar da simplicidade, tem uma complexidade e a capacidade de abranger o todo do caboclo, o todo do contestado, nuances de maior drama e se torna um diferencial. E atrás dessa vitrine tem um trabalho de pesquisa e de construção, uma raiz do contestado. Para a gente é muito fácil de fazer porque ela retrata a nossa essência, a nossa origem", enfatiza Jorge.
A proposta é levar o espetáculo como ponto de partida para o diálogo com o povo caboclo, abrindo ao final para uma escuta atenta de vozes, gestos, expressões da cultura cabocla da serra catarinense. O material colhido, será registrado em vídeo, áudio, fotografia e escrita, podendo desta forma, transformar-se em documentário, livro, cartilha, além do próprio espetáculo ser reinventado com acréscimos desta imersão.
FICHA TÉCNICA
Direção: Gustavo Zardo (DRT 28002/PR)
Dramaturgia: Lu Paes (DRT 11502)
Elenco: Lu Paes e Jorge Gonçalves
Cenário: Lumiar Produções Artísticas e Museu do Contestado
Figurino: Analia Bortolini
Músicas: Jorge Gonçalves (Violão e letra) e Romário José Borelli (letra)
Arte: Deiviane Velho
Produção: Gustavo Zardo
Sinopse: No meio da floresta de araucárias, dois caboclos brincam de imitar sons de pássaros e mergulham profundamente nas histórias que a natureza sussurra através de uma fogueira.  Neste espetáculo, passado e futuro se encontram em um presente pleno de aprendizagem, contando mitos, lendas, histórias e símbolos que existem no inconsciente coletivo das raízes sertanejas catarinenses, e assim discutir a invisibilidade, o racismo, preconceito, a desigualdade social e através do intercâmbio da oratura dar asas às expressões das culturas populares "Contestadas".

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